quinta-feira, 14 de outubro de 2010

MILO MANARA & FEDERICO FELLINI - Viagem a Tulum

Viaggio a Tulum. Série em três edições. 1991. Editora Globo.
A admiração de Manara por Federico Fellini está bem expressa em histórias como Reclame e Sem Título, inclusive no primeiro Clic os personagens vão ao cinema ver Casanova, de... Fellini.  Dessa admiração mútua nasceu uma sólida amizade que resultou em várias colaborações (Manara fez as ilustrações para os cartazes de Intervista e As Vozes da Lua) que culminaram neste Viagem a Tulum e no A Viagem de G. Mastorna, um outro projeto cinematográfico nunca concretizado que a morte de Fellini em 1994 deixou incompleto, também em quadrinhos.







































Em Viagem a Tulum, Manara demonstra porque a HQ é considerada a nona arte ou o "cinema dos pobres". Apenas com um lápis e o seu imenso talento o desenhista italiano constrói uma verdadeira superprodução, com Marcello Mastroianni no principal papel e a participação especial de Moebius e Jodorowsky, além do jornalista Vincenzo Mollica, verdadeiro “padrinho” de todo este projeto.







































Viagem a Tulum é um album de quadrinhos fascinante. O traço preciso e leve de Manara alia-se na perfeição às palavras de Fellini para criar um ambiente onírico, de uma realidade quase surreal onde parece não haver fronteira entre o sonho e o mundo. Manara mantém o corpo e o espírito do argumento, mas inicia a história com um percurso pela Cinecittá, como uma entrevista aos sonhos de um realizador que contempla um lago onde se afundam/surgem as suas ideias. Manara encontra inúmeras formas de homenagear Fellini - desde a imagem contemplativa de um sonhador apaixonante a referências explícitas ao mais famoso filme de Fellini, La Dolce Vita, com uma caótica cena de papparazis que se atropelam para ver um Mastroianni metamorfoseado em Fellini nas ruas de Los Angeles.







































Viagem a Tulum conduz-nos através da imaginação de Fellini, desde as reminiscências da Cinecittá até aos delírios inspirados na mitologia tolteca, utilizando Mastroianni, ator recorrente na filmografia de Fellini, como um alter-ego mundano e elegante do autor. É uma história de sonhos e sonhadores, de almas repletas da mais bela fantasia.



“Eu não sou Marcello Mastroianni. Ele é meu sósia, meu alter-ego. Giulietta Masina e Anita Ekberg também são. Todos os personagens que dirigi são alter-egos (exceto, talvez, os rinocerantes em E La Nave Va). Se Marcello usar meu chapeu, não é para identificá-lo a mim, mas para criar uma transmissão de pensamento e tornar possível o simulacro...
Eu o forço a se parecer comigo porque essa é a maneira mais fácil de enxergar o personagem e sua história. Uma operação delicada que só é possível graças a uma amizade profunda e ao desejo sem pudor de se colocar no espetáculo.” (Federico Fellini)

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