Quando os mortos ajudam os vivos, nenhuma batalha é perdida. O Navio de Pedra é uma jornada pela ecologia e pela fantasia poética. Numa aldeia tradicional de marinheiros sua gente é ameaçada pelos capitalistas gananciosos esfomeados por dinheiro. Eles querem destruir a aldeia, habitat natural de pescadores simples e fazer um e centro turístico e econômico. É uma delícia ideológica, aqui representado numa utopia anticapitalista pura. Confrontando-se com a instalação de um gigantesco complexo turístico e a aldeia pictória e todos os seus ancestrais e milenares habitantes. Iinclusive os monstruosos seres primordiais, raízes de menires, sempre incógnitos, acantonados no velho castelo (nas cercanias da aldeia) à guarda de um mago cego, são transferidos, pedra a pedra, espírito a espírito, para uma América Latina (terra de indígenas que tocam flautas), regressando à paz equilibrada, ecológica, espiritual. Não ocorreu à dupla Bilal/Christin que o castelo, a aldeia edificada e toda a sua gente viva e passada, fossem uma agressão gigantesca aos monstruosos seres e milenares ancestrais lá nas terras dos atuais flautistas? E ao ambiente dos atuais moradores? Tal e qual como o novo hotel, lá na terra afinal pré-bíblica deles? Não se trata só de afirmar uma ontologia benéfica ao “bom povo” e suas raízes – um romantismo medievalista um pouco mais exótico, projetando o desconhecimento da história (não era o castelo o lugar dos enrugados e gordos donos do navio?). Trata-se também de lhe associar, implicitamente, a ideia da tábua rasa exo-europeia. Os primórdios da alterglobalização na sua vertente antiindustrialista, anticapitalista. Uma luta entre os políticos e moradores de um mundo remoto e pacífico. Uma história fantástica cheia de poesia. (Texto extraído adaptado dos sites http://ma-schamba.com/banda-desenhada/bilal-e-a-alterglobalizacao e www.coinbd.com/bd/albums/resume/993/legendes-d-aujourd-hui/tome-2-le-vaisseau-de-pierre.html).
quinta-feira, 3 de março de 2011
ENKI BILAL & PIERRE CHRISTIN - O Navio de Pedra
Le Vaisseau de Pierre. 1976. 56 págs. Ed. Meribérica/Liber. Portugal.
Quando os mortos ajudam os vivos, nenhuma batalha é perdida. O Navio de Pedra é uma jornada pela ecologia e pela fantasia poética. Numa aldeia tradicional de marinheiros sua gente é ameaçada pelos capitalistas gananciosos esfomeados por dinheiro. Eles querem destruir a aldeia, habitat natural de pescadores simples e fazer um e centro turístico e econômico. É uma delícia ideológica, aqui representado numa utopia anticapitalista pura. Confrontando-se com a instalação de um gigantesco complexo turístico e a aldeia pictória e todos os seus ancestrais e milenares habitantes. Iinclusive os monstruosos seres primordiais, raízes de menires, sempre incógnitos, acantonados no velho castelo (nas cercanias da aldeia) à guarda de um mago cego, são transferidos, pedra a pedra, espírito a espírito, para uma América Latina (terra de indígenas que tocam flautas), regressando à paz equilibrada, ecológica, espiritual. Não ocorreu à dupla Bilal/Christin que o castelo, a aldeia edificada e toda a sua gente viva e passada, fossem uma agressão gigantesca aos monstruosos seres e milenares ancestrais lá nas terras dos atuais flautistas? E ao ambiente dos atuais moradores? Tal e qual como o novo hotel, lá na terra afinal pré-bíblica deles? Não se trata só de afirmar uma ontologia benéfica ao “bom povo” e suas raízes – um romantismo medievalista um pouco mais exótico, projetando o desconhecimento da história (não era o castelo o lugar dos enrugados e gordos donos do navio?). Trata-se também de lhe associar, implicitamente, a ideia da tábua rasa exo-europeia. Os primórdios da alterglobalização na sua vertente antiindustrialista, anticapitalista. Uma luta entre os políticos e moradores de um mundo remoto e pacífico. Uma história fantástica cheia de poesia. (Texto extraído adaptado dos sites http://ma-schamba.com/banda-desenhada/bilal-e-a-alterglobalizacao e www.coinbd.com/bd/albums/resume/993/legendes-d-aujourd-hui/tome-2-le-vaisseau-de-pierre.html).
Quando os mortos ajudam os vivos, nenhuma batalha é perdida. O Navio de Pedra é uma jornada pela ecologia e pela fantasia poética. Numa aldeia tradicional de marinheiros sua gente é ameaçada pelos capitalistas gananciosos esfomeados por dinheiro. Eles querem destruir a aldeia, habitat natural de pescadores simples e fazer um e centro turístico e econômico. É uma delícia ideológica, aqui representado numa utopia anticapitalista pura. Confrontando-se com a instalação de um gigantesco complexo turístico e a aldeia pictória e todos os seus ancestrais e milenares habitantes. Iinclusive os monstruosos seres primordiais, raízes de menires, sempre incógnitos, acantonados no velho castelo (nas cercanias da aldeia) à guarda de um mago cego, são transferidos, pedra a pedra, espírito a espírito, para uma América Latina (terra de indígenas que tocam flautas), regressando à paz equilibrada, ecológica, espiritual. Não ocorreu à dupla Bilal/Christin que o castelo, a aldeia edificada e toda a sua gente viva e passada, fossem uma agressão gigantesca aos monstruosos seres e milenares ancestrais lá nas terras dos atuais flautistas? E ao ambiente dos atuais moradores? Tal e qual como o novo hotel, lá na terra afinal pré-bíblica deles? Não se trata só de afirmar uma ontologia benéfica ao “bom povo” e suas raízes – um romantismo medievalista um pouco mais exótico, projetando o desconhecimento da história (não era o castelo o lugar dos enrugados e gordos donos do navio?). Trata-se também de lhe associar, implicitamente, a ideia da tábua rasa exo-europeia. Os primórdios da alterglobalização na sua vertente antiindustrialista, anticapitalista. Uma luta entre os políticos e moradores de um mundo remoto e pacífico. Uma história fantástica cheia de poesia. (Texto extraído adaptado dos sites http://ma-schamba.com/banda-desenhada/bilal-e-a-alterglobalizacao e www.coinbd.com/bd/albums/resume/993/legendes-d-aujourd-hui/tome-2-le-vaisseau-de-pierre.html).
Galeria Surreal - BLAKE FLYNN
Blake Flynn se formou na Universidade de Washington, em 1984, onde também estudou Arte, História da Arte e Arquitetura. Aperfeiçoamento incluídos os cursos de desenho na Academia de Arte Realista em Seattle. No final de 1999, ele deixou uma carreira de sucesso em engenharia aeroespacial para se tornar um artista em tempo integral. Desde aquela época ele teve uma série de exposições individuais e de grupo, ganhou vários prêmios e teve seu trabalho apresentado na revista Amazing Stories. Seu trabalho está incluído em inumeras coleções locais, nacionais e internacionais, privadas e corporativas. Página oficial: http://home.comcast.net/~blake.flynn/
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| Landscape on a Pedestal |
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| Fractured Legacy |
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| Landscape in a Box |
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| Consumption |
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| Ruins |
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| The Straight And Narrow |
ENKI BILAL & PIERRE CHRISTIN - A Cidade Que Não Existia
La Ville Qui n’Existait Pas. 60 págs. 1977. Ed. Meribérica. Portugal.
O álbum abre com a morte de um mecenas que fez fortuna explorando os seus trabalhadores. Perante uma greve de funcionários, seu único herdeiro, em colaboração com os líderes sindicais, começou a criar uma cidade "ideal". Mas um mundo sem luta de classes não significa realmente liberdade. Uma cidade dos sonhos, onde as crianças são reis, as mulheres são livres, os homens iguais, felizes e despreocupados; onde podemos verificar mais uma vez que a utopia como o inferno têm em comum, que ambos são pavimentados com boas intenções. A Cidade Que Não Existia é um dos desempenhos mais magistrais de realismo social. Embora não nos mostra o cotidiano de homens e mulheres trabalhadores, sentimos todo o peso e dificuldades de seu status social. É simples dizer que os patrões ficaram ricos às custas do suor dos trabalhadores. Jules Hannari, o grande chefe que acaba de morrer, é o último representante de um "paternalismo social cristão". Os executivos do grupo têm esquecido os velhos laços sociais. A crise também fez estremecer as entidades patronais, cujas convicções se transformaram em um capitalismo muito menos paternalista. É o fim de uma era que é contada, e o começo de um novo laço social, o mais difícil, mas talvez menos hipócrita que a anterior. Consequentemente, a população de Jadencourt começa a trabalhar para construir uma cidade ideal e imaculada, que é assim conservada dentro de uma bolha, isolada para o resto do mundo. O espírito é o da década de 70, anti-militarista e anti-patronal. O autor também apela para a imaginação que transcende a época de hoje, com uma abordagem que tem permanecido inovadora. Enki Bilal e Pierre Christin concordaram em abandonar as cordas de estilo gótico para resolver a fantasia moderna, nutrir as esperanças nutridas e obsessões do mundo contemporâneo.
O álbum abre com a morte de um mecenas que fez fortuna explorando os seus trabalhadores. Perante uma greve de funcionários, seu único herdeiro, em colaboração com os líderes sindicais, começou a criar uma cidade "ideal". Mas um mundo sem luta de classes não significa realmente liberdade. Uma cidade dos sonhos, onde as crianças são reis, as mulheres são livres, os homens iguais, felizes e despreocupados; onde podemos verificar mais uma vez que a utopia como o inferno têm em comum, que ambos são pavimentados com boas intenções. A Cidade Que Não Existia é um dos desempenhos mais magistrais de realismo social. Embora não nos mostra o cotidiano de homens e mulheres trabalhadores, sentimos todo o peso e dificuldades de seu status social. É simples dizer que os patrões ficaram ricos às custas do suor dos trabalhadores. Jules Hannari, o grande chefe que acaba de morrer, é o último representante de um "paternalismo social cristão". Os executivos do grupo têm esquecido os velhos laços sociais. A crise também fez estremecer as entidades patronais, cujas convicções se transformaram em um capitalismo muito menos paternalista. É o fim de uma era que é contada, e o começo de um novo laço social, o mais difícil, mas talvez menos hipócrita que a anterior. Consequentemente, a população de Jadencourt começa a trabalhar para construir uma cidade ideal e imaculada, que é assim conservada dentro de uma bolha, isolada para o resto do mundo. O espírito é o da década de 70, anti-militarista e anti-patronal. O autor também apela para a imaginação que transcende a época de hoje, com uma abordagem que tem permanecido inovadora. Enki Bilal e Pierre Christin concordaram em abandonar as cordas de estilo gótico para resolver a fantasia moderna, nutrir as esperanças nutridas e obsessões do mundo contemporâneo.
ENKI BILAL & PIERRE CHRISTIN - O Cruzeiro dos Esquecidos
La Crosière des Oubliés. 1975. 60 págs. Ed. Meribérica. Portugal.
O Cruzeiro dos Esquecidos, publicado em 1975, marca o início da colaboração de Bilal com o argumentista Pierre Christin, uma colaboração que gerou a obra maior que é A Caçada. O Cruzeiro dos Esquecidos é uma história surreal sobre uma aldeia que, vítima de forças para além da sua compreensão, se descobre arrancada da terra, voando em direção ao mar. Os esquecidos são os aldeões, que sempre viveram esquecidos pelos poderes maiores, e que vêem os seus modos de vida ameaçados por uma industrialização selvagem e pela ganância dos empreendedores turísticos; enfim, pelo que se convencionou chamar de "desenvolvimento". O mistério do vôo da aldeia deve-se à interferência de um misterioso personagem, envolvido desde há muito tempo com feitiçarias e movimentos esquerdistas radicais, que manipula uma experiência militar com forças antigravitacionais. Mais de trinta anos após a sua publicação, esta obra vale mais pelo seu referencial histórico na HQ, como precursora do trabalho que Bilal viria a desenvolver. Neste livro, os elementos gráficos que caracterizam o estilo de Bilal já estão presentes, de forma embrionária, permitindo em retrospectiva antever a beleza das suas obras futuras. A temática da obra, com um forte componente de luta contra um progresso que destroi o modus vivendi natural, simbolizado pelas prepotência de militares empedernidos cuja sede de poder ultrapassa os limites da natureza, também já perdeu alguma atualidade. Apesar de tudo, o tom jocoso da história, que representa o poder político como totalmente ineficaz e o poder militar como tão monstruoso que os militares envolvidos nas experiências que deixam a aldeia voando vão-se metamorfoseando progressivamente em monstros, não está totalmente desadequado aos nossos tempos contemporâneos. É de assinalar o surrealismo da história e das imagens que, apesar de datada, ainda nos faz pensar na estupidez dos poderes que tentam modificar o nosso mundo em nome de um desenvolvimento visando ao mero lucro. (Texto extraído e adaptado do blog: http://intergalacticrobot.blogspot.com)
Pierre Christin é um escritor e argumentista de quadrinhos, nascido a 27 de julho de 1938 em Saint-Mandé (França). É conhecido pela sua parceria com Jean-Claude Mézières na série Valerian, agente espaço-temporal. Estudou na Sorbonne e no Institut d'Etudes Politiques de Paris e defendeu a sua tese de doutoramento em Literatura Comparada sobre "Le fait divers, littérature du pauvre". Em 1965, mudou-se para os EUA. Era professor de literatura francesa em Salt Lake City, local onde reencontrou Jean-Claude Mézières. De volta à França, eles enviaram à revista Pilote uma história em quadrinhos de ficção científica que acabou por ser publicada. Continuaram a colaborar e, em 1967, nasceu Valérian & Laureline na história Les Mauvais rêves (Os Sonhos Ruins), publicada pela Pilote. Também trabalhou com outros desenhistas, ele escreveu para Jacques Tardi, Boucq, Vern, Enki Bilal, Annie Goetzinger, entre outros. Teve a capacidade de escrever com estilos diferentes para cada colaboração, com Mezieres, para Valérian, otimista e utópico, pesado e negro com Bilal em Les Phalanges de l'Ordre noir (As Falanges da Ordem Negra) e Partie de chasse (Festa de Caça) e íntimo com Annie Goetzinger La Demoiselle de la Légion D'Honneur, Paquebot (A Menina da Legião de Honra, o Navio). Também escreveu romances: Les Prédateurs enjolivés (Os Predadores Embelezados), ZAC, Rendez-Vous en Ville (Rendez-Vous na Cidade), L'Or du Zin (O Ouro do Zinco), Petits Crimes Contre les Humanités (Pequenos Crimes Contra as Humanidades). Também escreveu argumentos para cinema, Bunker Palace Hotel de Enki Bilal. Ele também é professor no Institut de journalisme Bordeaux-Aquitaine, onde foi um dos fundadores.
O Cruzeiro dos Esquecidos, publicado em 1975, marca o início da colaboração de Bilal com o argumentista Pierre Christin, uma colaboração que gerou a obra maior que é A Caçada. O Cruzeiro dos Esquecidos é uma história surreal sobre uma aldeia que, vítima de forças para além da sua compreensão, se descobre arrancada da terra, voando em direção ao mar. Os esquecidos são os aldeões, que sempre viveram esquecidos pelos poderes maiores, e que vêem os seus modos de vida ameaçados por uma industrialização selvagem e pela ganância dos empreendedores turísticos; enfim, pelo que se convencionou chamar de "desenvolvimento". O mistério do vôo da aldeia deve-se à interferência de um misterioso personagem, envolvido desde há muito tempo com feitiçarias e movimentos esquerdistas radicais, que manipula uma experiência militar com forças antigravitacionais. Mais de trinta anos após a sua publicação, esta obra vale mais pelo seu referencial histórico na HQ, como precursora do trabalho que Bilal viria a desenvolver. Neste livro, os elementos gráficos que caracterizam o estilo de Bilal já estão presentes, de forma embrionária, permitindo em retrospectiva antever a beleza das suas obras futuras. A temática da obra, com um forte componente de luta contra um progresso que destroi o modus vivendi natural, simbolizado pelas prepotência de militares empedernidos cuja sede de poder ultrapassa os limites da natureza, também já perdeu alguma atualidade. Apesar de tudo, o tom jocoso da história, que representa o poder político como totalmente ineficaz e o poder militar como tão monstruoso que os militares envolvidos nas experiências que deixam a aldeia voando vão-se metamorfoseando progressivamente em monstros, não está totalmente desadequado aos nossos tempos contemporâneos. É de assinalar o surrealismo da história e das imagens que, apesar de datada, ainda nos faz pensar na estupidez dos poderes que tentam modificar o nosso mundo em nome de um desenvolvimento visando ao mero lucro. (Texto extraído e adaptado do blog: http://intergalacticrobot.blogspot.com)
Pierre Christin é um escritor e argumentista de quadrinhos, nascido a 27 de julho de 1938 em Saint-Mandé (França). É conhecido pela sua parceria com Jean-Claude Mézières na série Valerian, agente espaço-temporal. Estudou na Sorbonne e no Institut d'Etudes Politiques de Paris e defendeu a sua tese de doutoramento em Literatura Comparada sobre "Le fait divers, littérature du pauvre". Em 1965, mudou-se para os EUA. Era professor de literatura francesa em Salt Lake City, local onde reencontrou Jean-Claude Mézières. De volta à França, eles enviaram à revista Pilote uma história em quadrinhos de ficção científica que acabou por ser publicada. Continuaram a colaborar e, em 1967, nasceu Valérian & Laureline na história Les Mauvais rêves (Os Sonhos Ruins), publicada pela Pilote. Também trabalhou com outros desenhistas, ele escreveu para Jacques Tardi, Boucq, Vern, Enki Bilal, Annie Goetzinger, entre outros. Teve a capacidade de escrever com estilos diferentes para cada colaboração, com Mezieres, para Valérian, otimista e utópico, pesado e negro com Bilal em Les Phalanges de l'Ordre noir (As Falanges da Ordem Negra) e Partie de chasse (Festa de Caça) e íntimo com Annie Goetzinger La Demoiselle de la Légion D'Honneur, Paquebot (A Menina da Legião de Honra, o Navio). Também escreveu romances: Les Prédateurs enjolivés (Os Predadores Embelezados), ZAC, Rendez-Vous en Ville (Rendez-Vous na Cidade), L'Or du Zin (O Ouro do Zinco), Petits Crimes Contre les Humanités (Pequenos Crimes Contra as Humanidades). Também escreveu argumentos para cinema, Bunker Palace Hotel de Enki Bilal. Ele também é professor no Institut de journalisme Bordeaux-Aquitaine, onde foi um dos fundadores.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Galeria Surreal - ABDI ASBAGHI
Abdi Asbaghi nasceu em Teerã, Irã, em 1956, formação acadêmica em Pintura e História da Arte na Zangar Instituto de Arte de Teerã (1988-1991) e pintor-instrutor desde 1992. Com diversas exposições e publicações especializadas. Página oficial: http://www.abdiasbaghi.com/
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| Old Memory |
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| Self Portrait #1 |
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| Puzzeld Couple |
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| Reality and Visionary #7 |
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| Fariba |
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| Package Series #4 |
ENKI BILAL - A Feira dos Imortais
A Feira dos Imortais
(La Foire aux Immortels).
1980. Ed.. Meribérica. Portugal.
"A Feira dos Imortais",
"A Mulher Enigma" e
"Frio Equador" são os três títulos que compõem esta magnífica trilogia de ficção científica. Corre o ano de 2023 e Paris está em ebulição. Agora que eleições manipuladas estão prestes a reconduzir o governo do fascista Jean Ferdinand Chou Blanc, uma nave espacial em forma de pirâmide aparece no céu parisiense. A bordo encontram-se misteriosas divindades egípcias dirigidas pelo imortal Anubis. Ao negociar combustível para prosseguir viagem, o governador Chou Blanc exige-lhes como moeda de troca, nada mais, nada menos do que a imortalidade ou, pelo menos, alguns séculos de vida suplementar. Anubis recusa, tanto mais que um dos seus, o poderoso Horus, desapareceu… Com um cenário futurista pouco encorajador, com lugar para fascistas, divindades mitológicas e para um astronauta do século XX – Alcide Nikopol – esta trilogia é uma obra incontornável da HQ de ficção científica.
Enki Bilal (batizado como Enes Bilalovic) é um cineasta, desenhista e roteirista de histórias em quadrinhos francês. Nasceu em Belgrado, Sérvia (antiga Iugoslávia), em 7 de outubro de 1951, e mudou-se para Paris com nove anos de idade. Aos 14, conhece René Goscinny e, encorajado, resolve se tornar desenhista de quadrinhos. Em 1971, ele ganha um concurso organizado pela revista de histórias em quadrinhos Pilote famoso com seu primeiro conto L’Appel des Étoiles. É publicado em Pilote e mais tarde relançado com o título Le Bol Maldito. Ele então conhece Pierre Christin (na época do roteirista Valerian para Pilote) e inicia a sua colaboração com ele em 1975 com La Croisières des Oubliés. Em 1979, eles lançam Les Falanges de l'Ordre Noir, que recebe ótimas críticas.
Bilal também cria 17 Exterminateur em 1978 para a revista Metal Hurlant, com um cenário de Jean-Pierre Dionnet (mais tarde lançado como álbum em 1989). Enki Bilal lança seu primeiro livro de quadrinhos solo, "La Foire aux Imortal", em 1980, que é o primeiro episódio de sua famosa Trilogia Nikopol (seguido por La Femme Piège em 1986 e Froid Équateur em 1993, que será o primeiro livro de quadrinhos a ser escolhido como melhor livro do ano pela revista Lire). Dois anos depois, ele colabora com Resnais imaginando os figurinos e criado uma parte do projeto de produção de La Vie est un Roman (1983), utilizando técnicas de pintura em vidro.
Em 1985, ele faz algumas pesquisas gráficas para Jean-Jacques Annaud em O Nome da Rosa (1986). Ele então conhece Patrick Cauvin (também conhecido como Claude Klotz ), com quem colabora para Hors Jeu (1986), livro de textos e ilustrações sobre o tema dos esportes. Em 1987, ele recebe o prestigioso primeiro prêmio no Festival de Quadrinhos de Angoulême. No ano seguinte, ele exibe seu trabalho no Palais de Tokyo (Paris), entre as obras do fotógrafo Josef Koudelka e artista Guy Peellaert. O próximo passo no cinema suas ambições é Bunker Palace Hotel (1989), seu primeiro filme como diretor, co-escrito com Christin, estrelado por Jean-Louis Trintignant e Carole Bouquet.
O filme é baseado nos dois primeiros episódios da Trilogia Nikopol (link para download do filme: http://www.megaupload.com/?d=2AJLZJOWquinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
JEAN-CLAUDE SERVAIS - Terna Violeta
Terna Violeta. 4 volumes (“Terna Violeta”, “Crônicas da Provincia”, “Malmaison, O Lugar Maldito” e “O Alsaciano”). Meribérica/Liber Editores. Portugal.
A série Terna Violeta, preto & branco, ficou concluída na França com três volumes, no Brasil foram quatro devido à divisão do primeiro em dois volumes. As críticas na França não foram nada generosas para os últimos volumes da série a cores (aqui, estes quatro volumes, são em preto & branco). Servais transformou a série levando-a para o paranormal, bruxaria e com um componente mediúnico muito forte. Esta história conta a vida da jovem e selvagem Violeta, com uma apetência especial para o álcool. Esta jovem vive sozinha na floresta, que conhece como ninguém, só conhece a sua lei e faz amor com quem lhe apetece. Neste pequeno item, enfurece as mulheres da aldeia, pois não há homem nas redondezas que não tenha estado, ou tentado estar, com a nossa heroína. Para sobreviver apanha sanguessugas com o próprio corpo, caça (faz armadilhas para coelho como ninguém), e contrabandeia álcool e tabaco entre as várias aldeias da região. Mas Violeta tem um coração de ouro para quem gosta e até para quem a odeia. Quando da ocupação da sua aldeia pelas tropas prussianas (Primeira Grande Guerra), não hesita em prostituir-se com as altas patentes alemãs para salvar o povo da aldeia, povo esse mal agradecido. Quando acabou a guerra foi tratada como se fosse uma vulgar prostituta que apenas quis salvar a pele. Violeta era um espírito livre, sendo mulher isso não era nada apreciado na época. É uma leitura bastante agradável, lenta, mas surpreende muitas vezes. A arte de Servais é impressionante e o registo escrito de Gérard Dewamme está muito certo com a mentalidade e vida das pessoas dessa época. (Texto extraído e adaptado do blog: http://bongop-leituras-bd.blogspot.com).
A série Terna Violeta, preto & branco, ficou concluída na França com três volumes, no Brasil foram quatro devido à divisão do primeiro em dois volumes. As críticas na França não foram nada generosas para os últimos volumes da série a cores (aqui, estes quatro volumes, são em preto & branco). Servais transformou a série levando-a para o paranormal, bruxaria e com um componente mediúnico muito forte. Esta história conta a vida da jovem e selvagem Violeta, com uma apetência especial para o álcool. Esta jovem vive sozinha na floresta, que conhece como ninguém, só conhece a sua lei e faz amor com quem lhe apetece. Neste pequeno item, enfurece as mulheres da aldeia, pois não há homem nas redondezas que não tenha estado, ou tentado estar, com a nossa heroína. Para sobreviver apanha sanguessugas com o próprio corpo, caça (faz armadilhas para coelho como ninguém), e contrabandeia álcool e tabaco entre as várias aldeias da região. Mas Violeta tem um coração de ouro para quem gosta e até para quem a odeia. Quando da ocupação da sua aldeia pelas tropas prussianas (Primeira Grande Guerra), não hesita em prostituir-se com as altas patentes alemãs para salvar o povo da aldeia, povo esse mal agradecido. Quando acabou a guerra foi tratada como se fosse uma vulgar prostituta que apenas quis salvar a pele. Violeta era um espírito livre, sendo mulher isso não era nada apreciado na época. É uma leitura bastante agradável, lenta, mas surpreende muitas vezes. A arte de Servais é impressionante e o registo escrito de Gérard Dewamme está muito certo com a mentalidade e vida das pessoas dessa época. (Texto extraído e adaptado do blog: http://bongop-leituras-bd.blogspot.com).
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