La Crosière des Oubliés. 1975. 60 págs. Ed. Meribérica. Portugal.
O Cruzeiro dos Esquecidos, publicado em 1975, marca o início da colaboração de Bilal com o argumentista Pierre Christin, uma colaboração que gerou a obra maior que é A Caçada. O Cruzeiro dos Esquecidos é uma história surreal sobre uma aldeia que, vítima de forças para além da sua compreensão, se descobre arrancada da terra, voando em direção ao mar. Os esquecidos são os aldeões, que sempre viveram esquecidos pelos poderes maiores, e que vêem os seus modos de vida ameaçados por uma industrialização selvagem e pela ganância dos empreendedores turísticos; enfim, pelo que se convencionou chamar de "desenvolvimento". O mistério do vôo da aldeia deve-se à interferência de um misterioso personagem, envolvido desde há muito tempo com feitiçarias e movimentos esquerdistas radicais, que manipula uma experiência militar com forças antigravitacionais. Mais de trinta anos após a sua publicação, esta obra vale mais pelo seu referencial histórico na HQ, como precursora do trabalho que Bilal viria a desenvolver. Neste livro, os elementos gráficos que caracterizam o estilo de Bilal já estão presentes, de forma embrionária, permitindo em retrospectiva antever a beleza das suas obras futuras. A temática da obra, com um forte componente de luta contra um progresso que destroi o modus vivendi natural, simbolizado pelas prepotência de militares empedernidos cuja sede de poder ultrapassa os limites da natureza, também já perdeu alguma atualidade. Apesar de tudo, o tom jocoso da história, que representa o poder político como totalmente ineficaz e o poder militar como tão monstruoso que os militares envolvidos nas experiências que deixam a aldeia voando vão-se metamorfoseando progressivamente em monstros, não está totalmente desadequado aos nossos tempos contemporâneos. É de assinalar o surrealismo da história e das imagens que, apesar de datada, ainda nos faz pensar na estupidez dos poderes que tentam modificar o nosso mundo em nome de um desenvolvimento visando ao mero lucro. (Texto extraído e adaptado do blog: http://intergalacticrobot.blogspot.com)
Pierre Christin é um escritor e argumentista de quadrinhos, nascido a 27 de julho de 1938 em Saint-Mandé (França). É conhecido pela sua parceria com Jean-Claude Mézières na série Valerian, agente espaço-temporal. Estudou na Sorbonne e no Institut d'Etudes Politiques de Paris e defendeu a sua tese de doutoramento em Literatura Comparada sobre "Le fait divers, littérature du pauvre". Em 1965, mudou-se para os EUA. Era professor de literatura francesa em Salt Lake City, local onde reencontrou Jean-Claude Mézières. De volta à França, eles enviaram à revista Pilote uma história em quadrinhos de ficção científica que acabou por ser publicada. Continuaram a colaborar e, em 1967, nasceu Valérian & Laureline na história Les Mauvais rêves (Os Sonhos Ruins), publicada pela Pilote. Também trabalhou com outros desenhistas, ele escreveu para Jacques Tardi, Boucq, Vern, Enki Bilal, Annie Goetzinger, entre outros. Teve a capacidade de escrever com estilos diferentes para cada colaboração, com Mezieres, para Valérian, otimista e utópico, pesado e negro com Bilal em Les Phalanges de l'Ordre noir (As Falanges da Ordem Negra) e Partie de chasse (Festa de Caça) e íntimo com Annie Goetzinger La Demoiselle de la Légion D'Honneur, Paquebot (A Menina da Legião de Honra, o Navio). Também escreveu romances: Les Prédateurs enjolivés (Os Predadores Embelezados), ZAC, Rendez-Vous en Ville (Rendez-Vous na Cidade), L'Or du Zin (O Ouro do Zinco), Petits Crimes Contre les Humanités (Pequenos Crimes Contra as Humanidades). Também escreveu argumentos para cinema, Bunker Palace Hotel de Enki Bilal. Ele também é professor no Institut de journalisme Bordeaux-Aquitaine, onde foi um dos fundadores.
quinta-feira, 3 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
Galeria Surreal - ABDI ASBAGHI
Abdi Asbaghi nasceu em Teerã, Irã, em 1956, formação acadêmica em Pintura e História da Arte na Zangar Instituto de Arte de Teerã (1988-1991) e pintor-instrutor desde 1992. Com diversas exposições e publicações especializadas. Página oficial: http://www.abdiasbaghi.com/
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| Old Memory |
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| Self Portrait #1 |
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| Puzzeld Couple |
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| Reality and Visionary #7 |
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| Fariba |
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| Package Series #4 |
ENKI BILAL - A Feira dos Imortais
A Feira dos Imortais
(La Foire aux Immortels).
1980. Ed.. Meribérica. Portugal.
"A Feira dos Imortais",
"A Mulher Enigma" e
"Frio Equador" são os três títulos que compõem esta magnífica trilogia de ficção científica. Corre o ano de 2023 e Paris está em ebulição. Agora que eleições manipuladas estão prestes a reconduzir o governo do fascista Jean Ferdinand Chou Blanc, uma nave espacial em forma de pirâmide aparece no céu parisiense. A bordo encontram-se misteriosas divindades egípcias dirigidas pelo imortal Anubis. Ao negociar combustível para prosseguir viagem, o governador Chou Blanc exige-lhes como moeda de troca, nada mais, nada menos do que a imortalidade ou, pelo menos, alguns séculos de vida suplementar. Anubis recusa, tanto mais que um dos seus, o poderoso Horus, desapareceu… Com um cenário futurista pouco encorajador, com lugar para fascistas, divindades mitológicas e para um astronauta do século XX – Alcide Nikopol – esta trilogia é uma obra incontornável da HQ de ficção científica.
Enki Bilal (batizado como Enes Bilalovic) é um cineasta, desenhista e roteirista de histórias em quadrinhos francês. Nasceu em Belgrado, Sérvia (antiga Iugoslávia), em 7 de outubro de 1951, e mudou-se para Paris com nove anos de idade. Aos 14, conhece René Goscinny e, encorajado, resolve se tornar desenhista de quadrinhos. Em 1971, ele ganha um concurso organizado pela revista de histórias em quadrinhos Pilote famoso com seu primeiro conto L’Appel des Étoiles. É publicado em Pilote e mais tarde relançado com o título Le Bol Maldito. Ele então conhece Pierre Christin (na época do roteirista Valerian para Pilote) e inicia a sua colaboração com ele em 1975 com La Croisières des Oubliés. Em 1979, eles lançam Les Falanges de l'Ordre Noir, que recebe ótimas críticas.
Bilal também cria 17 Exterminateur em 1978 para a revista Metal Hurlant, com um cenário de Jean-Pierre Dionnet (mais tarde lançado como álbum em 1989). Enki Bilal lança seu primeiro livro de quadrinhos solo, "La Foire aux Imortal", em 1980, que é o primeiro episódio de sua famosa Trilogia Nikopol (seguido por La Femme Piège em 1986 e Froid Équateur em 1993, que será o primeiro livro de quadrinhos a ser escolhido como melhor livro do ano pela revista Lire). Dois anos depois, ele colabora com Resnais imaginando os figurinos e criado uma parte do projeto de produção de La Vie est un Roman (1983), utilizando técnicas de pintura em vidro.
Em 1985, ele faz algumas pesquisas gráficas para Jean-Jacques Annaud em O Nome da Rosa (1986). Ele então conhece Patrick Cauvin (também conhecido como Claude Klotz ), com quem colabora para Hors Jeu (1986), livro de textos e ilustrações sobre o tema dos esportes. Em 1987, ele recebe o prestigioso primeiro prêmio no Festival de Quadrinhos de Angoulême. No ano seguinte, ele exibe seu trabalho no Palais de Tokyo (Paris), entre as obras do fotógrafo Josef Koudelka e artista Guy Peellaert. O próximo passo no cinema suas ambições é Bunker Palace Hotel (1989), seu primeiro filme como diretor, co-escrito com Christin, estrelado por Jean-Louis Trintignant e Carole Bouquet.
O filme é baseado nos dois primeiros episódios da Trilogia Nikopol (link para download do filme: http://www.megaupload.com/?d=2AJLZJOWquinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
JEAN-CLAUDE SERVAIS - Terna Violeta
Terna Violeta. 4 volumes (“Terna Violeta”, “Crônicas da Provincia”, “Malmaison, O Lugar Maldito” e “O Alsaciano”). Meribérica/Liber Editores. Portugal.
A série Terna Violeta, preto & branco, ficou concluída na França com três volumes, no Brasil foram quatro devido à divisão do primeiro em dois volumes. As críticas na França não foram nada generosas para os últimos volumes da série a cores (aqui, estes quatro volumes, são em preto & branco). Servais transformou a série levando-a para o paranormal, bruxaria e com um componente mediúnico muito forte. Esta história conta a vida da jovem e selvagem Violeta, com uma apetência especial para o álcool. Esta jovem vive sozinha na floresta, que conhece como ninguém, só conhece a sua lei e faz amor com quem lhe apetece. Neste pequeno item, enfurece as mulheres da aldeia, pois não há homem nas redondezas que não tenha estado, ou tentado estar, com a nossa heroína. Para sobreviver apanha sanguessugas com o próprio corpo, caça (faz armadilhas para coelho como ninguém), e contrabandeia álcool e tabaco entre as várias aldeias da região. Mas Violeta tem um coração de ouro para quem gosta e até para quem a odeia. Quando da ocupação da sua aldeia pelas tropas prussianas (Primeira Grande Guerra), não hesita em prostituir-se com as altas patentes alemãs para salvar o povo da aldeia, povo esse mal agradecido. Quando acabou a guerra foi tratada como se fosse uma vulgar prostituta que apenas quis salvar a pele. Violeta era um espírito livre, sendo mulher isso não era nada apreciado na época. É uma leitura bastante agradável, lenta, mas surpreende muitas vezes. A arte de Servais é impressionante e o registo escrito de Gérard Dewamme está muito certo com a mentalidade e vida das pessoas dessa época. (Texto extraído e adaptado do blog: http://bongop-leituras-bd.blogspot.com).
A série Terna Violeta, preto & branco, ficou concluída na França com três volumes, no Brasil foram quatro devido à divisão do primeiro em dois volumes. As críticas na França não foram nada generosas para os últimos volumes da série a cores (aqui, estes quatro volumes, são em preto & branco). Servais transformou a série levando-a para o paranormal, bruxaria e com um componente mediúnico muito forte. Esta história conta a vida da jovem e selvagem Violeta, com uma apetência especial para o álcool. Esta jovem vive sozinha na floresta, que conhece como ninguém, só conhece a sua lei e faz amor com quem lhe apetece. Neste pequeno item, enfurece as mulheres da aldeia, pois não há homem nas redondezas que não tenha estado, ou tentado estar, com a nossa heroína. Para sobreviver apanha sanguessugas com o próprio corpo, caça (faz armadilhas para coelho como ninguém), e contrabandeia álcool e tabaco entre as várias aldeias da região. Mas Violeta tem um coração de ouro para quem gosta e até para quem a odeia. Quando da ocupação da sua aldeia pelas tropas prussianas (Primeira Grande Guerra), não hesita em prostituir-se com as altas patentes alemãs para salvar o povo da aldeia, povo esse mal agradecido. Quando acabou a guerra foi tratada como se fosse uma vulgar prostituta que apenas quis salvar a pele. Violeta era um espírito livre, sendo mulher isso não era nada apreciado na época. É uma leitura bastante agradável, lenta, mas surpreende muitas vezes. A arte de Servais é impressionante e o registo escrito de Gérard Dewamme está muito certo com a mentalidade e vida das pessoas dessa época. (Texto extraído e adaptado do blog: http://bongop-leituras-bd.blogspot.com).
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
COLAGEM DIGITAL
"Fuck The Skull". Técnica: colagem digital. 28x16. 13/01/2011.
"Nunca ninguém se perdeu. Tudo é verdade e caminho." (Fernando Pessoa)
"Nunca ninguém se perdeu. Tudo é verdade e caminho." (Fernando Pessoa)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
JEAN-CLAUDE SERVAIS - Iriacynthe
Iriacynthe. 62 págs. 1992. Meribérica/Liber Editores. Portugal.
No alvorecer do século 20, na bela paisagem da região de Gaume, perto de Luxemburbo, onde a grama e as árvores são verdes, ainda não poluídos pela tecnologia, as águas dos rios são claras e transparentes, a magia e o sonho ainda têm seu lugar. Tudo simplesmente lindo. Thibault, um camponês humilde apaixona-se por uma fada roubando-lhe as vestes, mas ela engravida e, depois que o amado é morto, não pode voltar ao seu clã. Grávida, é recolhida por um velho eremita e dá a luz à uma menina, Iriacynthe, que termina por crescer sozinha em meio à floresta, sem pertencer nem ao mundo dos humanos nem ao das fadas. Anos depois, em um castelo provincial, o barão Alexandre de Boisier é um jovem rebelde que não gosta do meio social em que vive, um ambiente que ele considera insignificante e, sobretudo, hipócrita. O que ele gosta mesmo é passear pelos campos de sua região. Um dia ele vê Iriacynthe e apaixona-se perdidamente. Ele não sabe que a mulher bonita é na verdade uma fada que tenta enfeitiçá-lo. Felizmente alguém está assistindo: a velha bruxa Margot, que lançará um feitiço a este amor inacessível e ingênuo, impossível para ele, e tentará envolvê-lo ao charme mais natural de uma menina real. Servais dá um tratamento realista a serviço de uma história rica de poesia e magia. Seu desenho é exigente, sensível, como gravuras do século 19.
Jean-Claude Servais, nascido em 22 de setembro 1963 na Bélgica, estudou arte gráfica, em Saint-Luc, em Liège, de 1974 até 1976. Suas primeiras páginas foram publicadas na seção Carte Blanche Spirou em 1975, que foi seguido pela série Ronny Jackson, escrito por Jean-Marie Brouyère um ano depois. Sua carreira profissional decolou na revista Tintin. Seus primeiros trabalhos para a revista foram várias histórias curtas sobre cenários de Bom e Yves Duval partir de 1977.
Ele começou uma série de histórias curtas sobre misticismo e bruxaria em 1980, que foram coletados no álbum La Tchalette, em 1982. Durante seus dias de militar, ele conheceu Dewamme Gérard, com quem criou Tendre Violette para a revista A Suivre. Eles continuaram a sua colaboração na Lombard e Glénat com Les Saisons de la Vie e Les Voyages Clos - Montagne Fleurie.
Em 1989, ele se juntou com o chansonnier Julos Beaucarne para criar o épico L’Appel de Madame la Baronne. Servais começou a escrever seus próprios cenários com Iriacynthe, os álbuns, L’Almanach e La Petite Reine. Em 1992, ele criou um ciclo sobre o mago Merlin, chamado de Pour l’Amour de Guenièvre, que apareceu em Je Bouquine. Ingressou na editora Dupuis, em 1992, com Lova, na coleção Aire Libre. Para a mesma coleção, que ele chamou Fanchon em 1998 e Déesse Blanche, Déesse Noire, em 2001. Na mesma editora, na coleção Repérages, ele iniciou uma série de histórias de fé, sob o título La Mémoire des Arbres, em 1994.
Ele começou uma série de histórias curtas sobre misticismo e bruxaria em 1980, que foram coletados no álbum La Tchalette, em 1982. Durante seus dias de militar, ele conheceu Dewamme Gérard, com quem criou Tendre Violette para a revista A Suivre. Eles continuaram a sua colaboração na Lombard e Glénat com Les Saisons de la Vie e Les Voyages Clos - Montagne Fleurie.
Em 1989, ele se juntou com o chansonnier Julos Beaucarne para criar o épico L’Appel de Madame la Baronne. Servais começou a escrever seus próprios cenários com Iriacynthe, os álbuns, L’Almanach e La Petite Reine. Em 1992, ele criou um ciclo sobre o mago Merlin, chamado de Pour l’Amour de Guenièvre, que apareceu em Je Bouquine. Ingressou na editora Dupuis, em 1992, com Lova, na coleção Aire Libre. Para a mesma coleção, que ele chamou Fanchon em 1998 e Déesse Blanche, Déesse Noire, em 2001. Na mesma editora, na coleção Repérages, ele iniciou uma série de histórias de fé, sob o título La Mémoire des Arbres, em 1994.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
COLAGEM DIGITAL
"Reconstituição da Memória". Técnica: colagem digital. 28x36. 04/01/2011.
"As três coisas mais difíceis da vida são: manter um segredo;
esquecer-se das injúrias; fazer bom uso das horas livres" (Quilon)
"As três coisas mais difíceis da vida são: manter um segredo;
esquecer-se das injúrias; fazer bom uso das horas livres" (Quilon)
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