quinta-feira, 14 de outubro de 2010

MILO MANARA & HUGO PRATT- El Gaucho

El Gaucho. 142 págs. 2006. Conrad Editora.
Em 1991, para  lançamento da revista El Grifo, Milo Manara volta a unir-se a Hugo Pratt para criarem mais uma joia rara: El Gaucho.
América do Sul, século XIX. Enquanto os militares ingleses tramavam a tomada de Buenos Aires, a bordo de um navio-bordel (o Encounter), um bando de prostitutas, serviçais e soldados de baixa patente vivia entre a luxúria e a incerteza do futuro. Às margens do Rio da Prata, sonhavam com a liberdade em terra
sul-americanas.
Mas os planos de conquista e independência ainda teriam de enfrentar uma série de reviravoltas que mudariam o destino de todos.
Com graça, bom humor e uma boa dose de belas garotas nuas, os mestres italianos contam uma história anônima, mas legítima da Reconquista. E, no caminho, resgatam elementos tão fundamentais quanto ignorados sobre a tradição política da Argentina - como a mobilização de negros e indígenas para proteger Buenos Aires. Um momento em que as massas excluídas da colônia ocuparam pela primeira vez lugar de destaque na luta pela liberdade. Um encontro histórico entre a excelência do roteiro de Pratt e o traço magnífico de Manara.






quarta-feira, 13 de outubro de 2010

MILO MANARA - Kama Sutra

Kama Sutra. 68 págs. 1998. L&PM Editores.
Livremente baseado na obra Kama Sutra, de Mallanaga Vatsyayana, filósofo hindu que, pela tradição  védica se acredita ter vivido durante a época do Império Gupta (quarto ao sexto séculos a.C.) na Índia, este livro de Manara transpira tanto erotismo que atinge os limites do pornográfico, com imagens transitando pelo moderno e antigas lendas hindus. Parva, a heroína, encontra acidentalmente um pacote contendo um cinto conhecido como Cinto de Vatsyayana, confeccionado pelo todo poderoso Prajapati com um pedaço da pele de seu próprio pênis. O achado inusitado leva Parva e dois amigos a aventuras que cruzam os oceanos e a experiências inéditas no âmbito sexual, em que sua capacidade de assimilar os ensinamentos do Kama Sutra serão fundamentais para sua sobrevivência.






sexta-feira, 8 de outubro de 2010

MILO MANARA - Quatro Dedos (O Homem de Papel)

Quatre Doigts. L'Homme de Papier. 48 págs.1982. Ed. Meribérica. Portugal.
Com texto e desenho de sua autoria, em 1982 Milo Manara incursiona pelo western, com novos personagens que oscilam entre o burlesco e o surreal, em relações frívolas e quase de sonhos, onde o erotismo permeia o trajeto de seus passos, ainda que mais timidamente que o nornal em O Homem de Papel. Um heroi bem resolvido e com uma aparente indiferença às intempéries à sua volta envolve-se com um reverendo meio louco que lembra Mr. Hyde (Dr. Jekyll) apenas quando chove; uma índia sioux carregada de sensualidade e altivez étnica; e um índio-contrário, que faz tudo de traz para a frente. Uma turpe alucinada em meio a brigas de saloom, tribos indígenas, canyons espetaculares no lápis de Manara e as deslumbrantes paisagens da pradaria do oeste norte-americano.








segunda-feira, 4 de outubro de 2010

MILO MANARA - Curta Metragem

Courts Metrages. 66 págs. 1989. L&PM Editores. Coleção Quadrinhos.
Um álbum que, tal como o nome indica, reúne oito “curtas metragens”, ou seja, oito pequenas histórias independentes com um denominador comum: são todas sátiras sutis que, por meio do fantástico, vão caricaturando situações ou personalidades retiradas da realidade, em que os desejos, os receios e o subconsciente das personagens são explorados de forma exemplar. E, como não podia deixar de ser numa obra de Manara, apesar de indiretamente indicadas para o público masculino, as mulheres (que sempre se destacam pela inteligência e sutileza) e o erotismo assumem sempre o papel principal.


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

MILO MANARA - HP e Giuseppe Bergman

HP et Giuseppe Bergman. 256 págs. 1988. Martins Fontes Ed.
Manara nasceu em Luson. Depois de estudar arquitetura e pintura, estreou no mundo dos quadrinhos em 1969 com a obra Genius um conto noir sensual e sombrio na linha de HQ’s como Kriminal e Satanik. Trabalhou para publicações menores (Jolanda, revista de arte soft core, e a revista satírica Telerompo) até ter sido convidado pelo Il Corriere dei Ragazzi para trabalhar com escritor Mino Milani. A primeira história dos dois chamava-se HP e Giuseppe Bergman, de 1983. A sigla “HP” é a abreviação do nome de um grande amigo deles, o artista e caricaturista italiano Hugo Pratt. Bergman havia sido criado por Manara cinco anos antes, para a revista francesa À Suivre. Os quadrinhos de Manara geralmente giram em torno de mulheres elegantes, bonitas expostas a cenários e enredos eróticos improváveis e fantásticos. Em alguns de seus livros mais famosos estão os contos Il Gioco (1983, em quatro partes, de Click), sobre um dispositivo que deixava as mulheres incontrolavelmente excitadas, e Il Profumo dell’invisibile (de 1986, em Butterscotch), sobre a invenção de uma tinta que deixava seu portador invisível. O estilo de Manara favorece linhas mas simples e limpas para mulheres – que são muito voluptuosas, diga-se de passagem – e reservam traços mais complexos para seus monstros ou outros elementos sobrenaturais. Como o seu compatriota Tinto Brass, tem uma evidente fixação por mulheres com bumbuns firmes e bonitos, quadris largos e semblante angelical. Muitos de seus quadrinhos contêm temas como bondage, sadismo, e voyeurismo, coisas sobrenaturais, e a tensão sexual sob diversos aspectos da sociedade italiana. Os seus trabalhos são bem esclarecidos e explícitos, mas o humor geral é mais divertido que misogênico. O talento de Manara criou ao longo do tempo um clima de assombro e êxtase, e onde quer que esteja é celebrado e homenageado por fãs, e, devido a muitas de suas incursões aos quadrinhos mais “tradicionais”, também é extremamente reverenciado pela mídia popular ou especializada. O seu trabalho atingiu o público no continente americano em grande parte por seus trabalhos expostos na revista Heavy Metal. Curiosamente, Manara é menos popular na Itália que na França, onde é considerado um dos quadrinistas mais importantes do mundo.
Para Manara, a Aventura é antes de mais nada revolucionária, pois é, para cada um, o único meio de se autodeterminar. Ela recusa a submissão ao acontecimento e permite nos subtrairmos ao nivelamento e ao planejamento do destino. Para ele, a Aventura é sinônimo de absoluta liberdade. Saco cheio e necessidade de viver imediatamente são os dois elementos fundamentais para que ocorram o fascínio e a atração irresistível pela Aventura. Desde o início da história de HP e Giuseppe Bergman (provavelmente em Verona, onde vive Manara) descobrimos que Bergman atingiu o seu limite de tolerância. Precisa romper com um mundo que exclui a Aventura ou que só a aceita como regulador do seu próprio sistema. É preciso acreditar na liberdade absoluta para ousar soltar as amarras! Mas é preciso pagar: o que fazer quando percebemos que a Aventura não é mais do que aventuras e desventuras, impasses e aparências enganosas, emaranhado mais inextricável que a própria floresta amazônica? Neste rio tumultuado, o erotismo surge permanentemente. Esse clarão da Aventura transforma os lápis do autor em penas de índios. Não há uma leitura inequívoca mas um mundo rico de uma infinidade de sonhos mais reais do que a ação. Mas um ser carregado com todas as fantasias misturadas, as do autor, do enigmático HP, senhor da aventura... e de nossa própria imaginação cúmplice. Esta história endiabrada terminará num departamento de assistência social, último lugar onde o fascínio do mistério possa atuar. No entanto, há o reverso da realidade. Em cada quadrinho, o perigo, o humor.








SCHUITEN & RENARD - Cymbiola

Cymbiola. Eurocomic. Madrid. Metal Hurlant. 1984. 70 págs.
Cymbiola é o primeiro trabalho da dupla Schuiten & Renard, então um estudante e professor, respectivamente, do Institut Saint-Luc. Este é um belo álbum em que ambos os artistas envolvidos nos roteiros e nos desenhos, a tal ponto que é indiscernível o trabalho de cada um, especialmente considerando que, em suas primeiras obras, Schuiten deliberadamente mistura o estilo de seu mestre. A história mergulha no reino do mito e da lenda, dirigindo sede de conhecimento a um grupo de jovens a um destino incerto, que pode revelar mais do que um mistério, uma história que se perde além da memória humana. Quanto ao tratamento gráfico da narrativa, ambos os ilustradores exibem seu talento para atrair uma variedade de técnicas, a partir do lápis de durezas diferentes até a aplicação direta de cor.




quarta-feira, 29 de setembro de 2010

SCHUITEN & PEETERS - A Febre de Urbicanda

La Fièvre d'Urbicande. Edições 70. Portugal. 1985. 96 págs.

François Schuiten nasceu em Bruxelas, Bélgica em 1956. Seu pai, Robert Schuiten, e sua mãe, Marie-Madeleine De Maeyer, foram os arquitetos. Ele tem cinco irmãos e irmãs, um dos quais também é arquiteto. Durante os seus estudos no Instituto Saint-Luc, em Bruxelas (1975-1977), ele conheceu Claude Renard, que lidera o departamento de histórias em quadrinhos na escola. Juntos, eles criaram vários livros. Irmão de Schuiten Luc também trabalhou com ele várias vezes como um escritor para a série Terres Creuses. Schuiten publicou sua primeira revista em 3 de maio de 1973, composto de cinco páginas em preto e branco na revista francesa Pilote, quatro anos mais tarde foi publicado na mais experimental revista Métal Hurlant. Seu amor pela arquitetura tornou-se evidente na série Cidades do Fantástico, uma evocação do fantástico, imaginário, em parte, as cidades que ele criou com seu amigo Benoît Peeters, de 1983 para a revista mensal de quadrinhos belga A Suivre. Cada história se concentra em uma cidade ou edifício, e ainda explora um mundo onde arquitetos, urbanistas e, finalmente, "urbatects", são as principais potências e da arquitetura é a força motriz da sociedade. Estilos explorado na série incluem fascistas e estalinistas em arquitetura La Fièvre d'Urbicande, arranha-céus em Brusel, mas também as catedrais góticas em La Tour.Inspirado por artistas e cientistas, o trabalho de Schuiten pode ser considerado para misturar os mundos misteriosos de René Magritte, o científico fantasias precoce de Jules Verne, os mundos gráficos de M.C. Escher e Gustave Doré, e as visões de arquitetura de Victor Horta e Étienne Louis Boullée. A sinergia criativa entre o trabalho de Schuiten e os livros de Júlio Verne culminou em 1994, quando ele foi convidado para ilustrar e criar uma capa para a publicação do livro de Verne redescobrindo Paris no século 20. Ele também colaborou com Maurice Benayoun em computação gráfica da série Quarxs e trabalhou como designer de produção de alguns filmes: Gwendoline por Just Jaeckin, Toto le héros por Jaco Van Dormael, Taxandria por Raoul Servais, A Bússola de Ouro por Chris Weitz e Sr. Ninguém por Jaco Van Dormael.





Como cenógrafo, projetou as estações do metrô de Porte de Hal em Bruxelas e Artes et Métiers em Paris, e um mural em Bruxelas. Em 2000, ele desenhou a cenografia de visões de um planeta, um dos principais pavilhões da Hannover World's Fair, que atraiu mais de cinco milhões de visitantes. Em 2004-2005, uma grande exposição realizada em Leuven, The Gates of  Utopia, mostrando diferentes aspectos do seu trabalho. Ele também criou o interior do pavilhão belga na Expo 2005 em Aichi, no Japão com o pintor Alexandre Obolensky. François Schuiten também criou 15 selos belgas. Schuiten, juntamente com Peeters, também ajudou a salvar e restaurar posteriormente as Autrique Maison, a primeira casa desenhada em estilo art nouveau do arquiteto Victor Horta. François Schuiten Monique Toussaint casou em 1980, têm quatro filhos.
A trama de A Febre de Urbicanda gira em torno de um pequeno objeto com hastes formando um cubo, que começa a crescer e se multiplicar, envolvendo toda uma cidade, atravessando paredes e pessoas, mudando a vida de todos. Um elemento arquitetônico se impondo e modificando o dia-a-dia dos habitantes.