quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MILO MANARA - O Perfume do Invisível

Il Profumo dell’Invisibile. 66 págs. 1987. Coleção Ópera Erótica. Martins Fontes Editora.
Em O Perfume do Invisível, um físico feio, desajeitado e decadente (na verdade, parece mais um mendigo) cria um produto que passado na pele, causa invisibilidade, o que lhe permite invadir a privacidade dos outros, especialmente mulheres, naturalmente. A cada vez que Mel, a heroína assediada pelo cientista alucinado, sente o perfume de caramelo que a pomada exala, deixa-se levar pelos rompantes sexuais e libidinosos, seja em particular ou em público. Aqui, a invisibilidade do personagem é o pretexto para a expressão de todas as fantasias. Manara manipula com maestria nosso imaginário, repertoriando e analisando nossas fantasias. Quem nunca sonhou ser invisível?





sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MILO MANARA & ALEJANDRO JODOROWSKY - Bórgia: O Poder e o Incesto

Borgia, tome II: le pouvoir et l'inceste. 60 págs. 2006. Conrad Editora.
Neste segundo volume da coleção, a máfia dos Bórgia transformou Roma e um caos sem fé nem lei. A população despreza o novo papa, Alexandre VI, que não poupa a vida de inocentes para conquistar a simpatia popular e restabelecer o poder da Igreja. O pontífice conta com sua bela filha Lucrécia para servir às ambições da família, casando-a com Giovanni Sforza, duque de Pesaro. Mas não sem antes fazê-la passar pelas mãos de seu irmão, César Bórgia... Unindo o erotismo de Manara com a força onírica de Jodorowsky, temos um coquetel explosivo. O sexo de Lucrécia, a violência de César, a ambição de Rodrigo, o futuro para Alexandre VI: não resta nada para a imaginação. Tortura, orgia, blasfêmia, homicídio. Cada uma das cenas oferece uma profusão de lindas mulheres, golpes de espada, cabeças cortadas...




quinta-feira, 11 de novembro de 2010

MILO MANARA & ALEJANDRO JODOROWSKY - Bórgia: Sangue para o Papa

Borgia, tome 1: du sang pour le Pape. 56 págs. 2005. Conrad Editora.
Sensacional e surpreendente parceria de Manara com Jodorowsky. Poder. Conspiração política. Luxúria. Messianismo. O fim trágico de um papa. Os novos ventos da Renascença. Ambiente perfeito para a ascenção de uma família sem limites em sua ambição. Rodrigo, Lucrécia e César Bórgia deixaram seu nome na história do Vaticano e da humanidade. Uma fama construída não com penitência e santidade, mas com escândalos, negociatas e orgias. A série em três volumes de quadrinhos Bórgia é uma espécie de biografia não-autorizada da família que é tida como precursora dos Corleone e que expôs os "pecados" da igreja católica do final século XV, uma época que o Vaticano certamente gostaria de apagar dos livros de história. Todos os atos praticados por Rodrigo Bórgia e sua família, para se tornar o papa Alexandre VI, estão na obra contada por um dos mais cerebrais roteiristas de HQ da Europa, Alejandro Jodorowsky. A morte de Inocêncio VIII, em 1492, e os novos ares da Renascença deram a chance para que Rodrigo Bórgia pudesse utilizar seus métodos pouco ortodoxos para tomar posse do Vaticano. O conclave é um dos momentos em que ele compra e chantageia os cardeais e suas respectivas dissidências religiosas. "Ajude-me a obter a tiara de papa, e os 100 burricos, com seu ouro, prata e pedras preciosas serão teus", propõe Rodrigo Bórgia a Ascânio Sforza, forte candidato ao papado. Contudo, a venda de indulgências, o nepotismo, a promiscuidade e a ganância pelo poder político eram características de todos os clérigos daquele tempo. Essa combinação fazia do Vaticano um lugar que podia ser chamado de tudo, menos de santo. Alexandre VI é lembrado como a ovelha negra da igreja mas tornou-se o papa mais memorável do Renascimento, tendo permanecido na direção da igreja católica entre 1492 e 1503. Lucrécia e César Bórgia (filhos de Rodrigo) também deixaram suas marcas na história, sempre em meio a escândalos, orgias e negócios escusos. Cesar foi imortalizado por Maquiavel em sua obra-prima O Príncipe. Lucrécia Bórgia foi exaustivamente utilizada como moeda de troca na política da família. Ficou conhecida como "o veneno dos Bórgia". A santíssima trindade de Lucrécia e de sua família tinha outros elementos: o ouro, o poder e a luxúria.
O chileno Alejandro Jodorowsky é um dos artistas multimídia mais produtivos do mundo. Além de seus roteiros de quadrinhos (O Incal, com Moebius, entre outros), tem uma produção vasta em cinema (Ladrão de Arco-Íris, El Topo, etc.), na literatura e no teatro. Seu trabalho influenciou diretamente artistas como David Cronenberg e David Lynch. Para produzir Bórgia, Jodorowsky não encontraria desenhista mais adequado do que Milo Manara, o lendário mestre italiano dos quadrinhos eróticos.